sábado, 25 de agosto de 2012

É falta. Falta de saudade, falta de audácia, falta de esperança, falta de peito, falta de coragem, falta de reza, falta de amor, falta de entrega, falta de vontade, falta de atitude, falta de espaço, falta de verdade.
"É só que dá vontade de deitar na grama, olhar o céu e chorar até as estrelas afogarem. Dá vontade de boiar no mar, fechar os olhos, deixar a água levar até afogar. Sobra vontades quando falta a vontade. Ficar até o que estiver em volta se enjoar de mim. Fazer bate-volta na linha do horizonte.. só mais dois passos.. um a mais.. ou mais cinco. Vontade de vem me buscar, me leva pra Sua casa. Vontade de derramar o ex-coração de gelo que derreteu no peito e servir ao primeiro que passar. Amargo e sem açucar. Meu pulso caiu de novo, veja só, caiu no chão, se quebrou todo. Espera, estou pegando os pedaços. Hoje o lixeiro passa. Melhor, jogar na chuva, não dar sorte pro azar e alguém o ver e inventar de reaproveitar. Deixa a chuva levar e quando a chuva passar a vontade pega carona e passa. Finjo que me obedeço, que tudo isso faço por mim, antes que alguém faça por dó. Ai, essa vida de ré."
Da minha querida  DÉBORAH DELANCY
Por favor, diminuam a temperatura de meu coração.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Eu não culpo Deus pelas coisas que ainda não foram curadas em mim. Tem coisa que eu simplesmente não quero ou não consigo deixar Ele mexer ou remexer. Tem outras coisas que eu nem sei o que é exatamente que precisa ser curado. Mas também tem aquelas que eu achava que já tava tudo bem, e de repente vem como um vulcão em erupção. Sei que minha vida pode ser considerada perfeita. E é. Tenho a vida que muita gente queria ter. Mas o problema não é minha vida, nem Deus, o problema sou eu. Aconteça o que acontecer, isso vai estar sempre aqui. Acho que vou morrer com isso. Já me conformei. Nada vai mudar. Vai continuar do mesmo jeito.
As vezes eu acho que todo mundo tem isso. Não acredito que todo mundo seja plenamente feliz e satisfeito

sábado, 18 de agosto de 2012


Nasci para arruinar surpresas.

Bato a língua com os dentes. Acabo revelando ao aniversariante festa armada secretamente, entrego paixões platônicas dos amigos.

Deus nunca me confiaria os segredos de Fátima porque transformaria em fofocas de Fátima.
Sou um estraga-prazer declarado.

Com minha mulher, conto quando compro vestido, sapatos, lembranças para ela. Descrevo os objetos do interior da loja. Não crio suspense nas viagens, já aviso o que ela receberá.

Ela fica feliz igual. Ou finge que fica feliz igual.

Criar expectativa é apenas aumentar a responsabilidade do presenteado. Ele tem que suspirar de qualquer jeito. Amar incondicionalmente. Explodir em abraços e falar frases definitivas como “eu precisava tanto”, “ninguém me conhece tanto quanto você”, “vou colocar no Instagram agora”.

Na hipótese dela trocar o produto, é fracasso de sua parte e decepção do lado dela. Você não adivinhou o que ela desejava e ela não teve a generosidade de mentir.

Não faço mais surpresas, desde quando vi minha irmã se desfazer de sua coleção de papel de carta para seu namorado.

Durante seis anos, Carla guardou 150 papéis e envelopes de moranguinho, pesseguinho, maçãzinha, uma salada de frutas completa, um pomar de flores gigantesco no seu quarto. Havia uma papelaria invejável, com gramaturas diversas, cores muitas e cheiros de xampu e chiclete para abençoar as gavetas.



Ela perseguia novos produtos nas bancas e livrarias, era mais obcecada em atualizar seu catálogo do que eu e a minha filatelia.

Ao completar um mês de namoro com Fábio, seu colega da oitava série, ela pôs um ponto final na sua adoração. Deitou a cabeça na escrivaninha branca e escreveu uma correspondência inteira usando suas cartas. Todas as suas cartas.

Redigiu a mão um livro de 150 páginas com suas peças raras e cheias de detalhes, salpicadas de Snoopy, Hello Kitty e Ursinhos Carinhosos.

Entregou o maço ao seu amado num ato de coragem e sacrifício: “Toda Minha Infância Para Você Amor de Minha Vida”.

Fábio confessou que somente olhou cinco páginas e dormiu.

— Não posso com sua expectativa. Tem um livro aqui, eu não leio nem bula de remédio! Melhor acabar agora antes que queira se casar comigo.

E terminou o relacionamento. Sem mais nem menos.

Carla chorou dois dias seguidos. Tomou banho com suas lágrimas. Lavou a louça com suas lágrimas.

Procurei acalmá-la. Passei minha coleção de selos pelo vão da porta, com um bilhete:

“Perdemos as cartas, mas temos ainda os selos.”







Crônica publicada no site Vida Breve
Colunista de quarta-feira
Cada vez tenho mais certeza de que o problema não está na frieza com que os homens vivem seus relacionamentos, na "racionalidade" deles. Acho que o problema somos nós mulheres. Sonhamos demais, queremos demais, ansiamos demais, criamos expectativas demais. E se nada disso acontece, ficamos perdidas. Por que temos que ser assim? Aff! Saudade do tempo que meu coração era uma pedra pequenininha de gelo. Que a frieza das pessoas não me machucava. Mas agora passei a achar o amor importante, amizade importante, demonstrações de sentimentos importante. Mas de que adianta? As pessoas não se importam.
Vivemos numa época onde as pessoas querem se sentir amadas, mas não fazem nada pra que as outras se sintam amadas. E há quem queira dar amor e carinho, mas também há quem não queira receber.
Tem coisa melhor do que dizer um EU TE AMO olhando nos olhos? Tem coisa melhor do que ouvir um EU TE AMO sendo olhada nos olhos? As duas emoções são maravilhosas, mas quase ninguém faz. E 80% das pessoas que fazem, não amam de verdade. QUE MERDA!
Sinto vontade de dizer um EU TE AMO olhando bem nos olhos. Mas também sinto vontade de dizer um VOCÊ ME MAGOOU DEMAIS E É SUPER COMPLICADO ESQUECER.
É o tal do amor e ódio. Não sei o que é pior ou melhor. Mas sei que os dois lados doem, ser fria e ser sensível. Bem que eu podia alcançar o meio termo.
Dai penso, e quando a pessoa morrer? Será que vou lamentar por não ter amado? Por não ter demonstrado? É, vou. Mas também vou lembrar de tudo que me impediu de fazer isso. Sei lá.

domingo, 12 de agosto de 2012

Pra mim, lágrima tem que cair mesmo. Tem nada que ser contida. Tem que ser desabafada, desenrolada, gritada nas maçãs do rosto.
Ruim é quando a lágrima dói. É a mesma coisa que suturar sem anestesia.
É quando se sente raiva de chorar. Quando sente pena de si mesmo. Quando da vontade de se abraçar por não ter outros braços.
Garganta travada.
Preciso curar os ódios do meu peito.
Ausência de amor me faz sentir até normal, indiferença não me deixa mal.
Tenho que transformar o ódio no mínimo em tolerância.
Ver a foto, ouvir o nome...
Argh! Como tudo isso me tira do sério.
Odeio odiar. É como tomar veneno todos os dias.
Odeio mais ainda a ideia de um dia chegar a amar.
Odeio a possibilidade desse sentimento mudar.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

É tão difícil e doído consagrar algo a Deus. Mas chega um momento que você não consegue mais ter as coisas na sua mão. Deus tem que agir.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Quando você faz de tudo pra acertar mas não adianta. É como dizia meu pai, "só matando/morrendo"
Quando parece que a única opção que você tem é desistir.